sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Epidemia de violência na Lapa. Até quando?

 - Atualizada às 

Antes de matar dono de bar, bando roubou pelo menos um estabelecimento na Lapa

Polícia faz buscas por criminosos. Cabral anunciou operação permanente no bairro

FELIPE FREIRE
Rio - Antes de assassinarem o comerciante Gerson Vaz, 64 anos, o grupo de criminosos assaltou pelo menos um estabelecimento na Rua Riachuelo. Sem que fossem incomodados pela polícia, dois dos bandidos que estavam na Tucson preta renderam o dono de um bar próximo à esquina da Rua dos Inválidos e levaram cerca de R$ 300.
Armados com revólveres calibre 38 e pistolas, eles chegaram por volta das 1h. Outros dois criminosos davam cobertura no carro. "Apontaram a arma e disseram 'perdeu'. Não mexeram com os clientes, pegaram o dinheiro e seguiram", contou a vítima.
Bar amanheceu com aviso de luto
Foto:  Felipe Freire / Agência O Dia
Minutos depois, a parada foi no Bar do Gerson. Na ocasião, segundo testemunhas, o proprietário teria tentado sacar uma arma, não conseguiu e foi atingido por um tiro no abdômen, que perfurou o fígado. A vítima ainda foi levada com vida para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, mas não resistiu. 
O grupo fugiu sem levar nada. O filho de Gerson estava no caixa do estabelecimento no momento da ação. O bar possui câmeras de TV, bem como os estabelecimentos vizinhos.No entanto, o equipamento do restaurante ao lado do local do crime não registrou o momento dos disparos. As imagens do local ainda não foram analisadas. O caso foi registrado na 5ª DP (Mem de Sá), mas foi encaminhado para a Divisão de Homicídios (DH).
Estabelecimento fico no coração da Lapa. Episódios de violência se tornaram uma constante no bairro
Foto:  Felipe Freire / Agência O Dia
Bairro vai ganhar ação permanente para fortalecer segurança
Por determinação do governador Sérgio Cabral, a Secretaria de Estado inicia, no dia 1º de janeiro de 2014, a “Operação Lapa Presente”, que terá o objetivo fortalecer a segurança e o direito de ir e vir dos moradores e frequentadores da Lapa. Baseada no modelo da Operação Lei Seca, a ação na Lapa terá caráter permanente, com equipes nas ruas todos os sete dias da semana, sem data para terminar. Sob a supervisão do governo, contará com profissionais cedidos pela PM, Secretaria Especial de Ordem Pública (SEOP), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Guarda Municipal e Comlurb.
De forma coordenada e integrada, os agentes farão rondas em bicicletas, a pé e em veículos para promover a ordem no bairro e coibir ações criminosas. Outro aspecto da operação será o acolhimento de moradores de rua. O lançamento da "Operação Lapa Presente" é resultado de reunião feita na manhã desta sexta-feira no Palácio Guanabara.
Cabral anunciou operação permanente na Lapa
Foto:  Shana Reis / Divulgação
Participaram da reunião: o Governador Sérgio Cabral, o Secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, o Secretário de Estado de Governo, Wilson Carlos, o Chefe do Estado-Maior Geral Operacional da PM, Coronel Paulo Henrique Azevedo, o subchefe de Polícia Civil, Sérgio Caldas, a Secretária Estadual de Cultura, Adriana Rattes, o Vice-Prefeito e Secretário de Desenvolvimento Social do município do RJ, Adílson Pires, o Secretário Especial de Ordem Pública Alex Costa, além de moradores e comerciantes da Lapa.
Uma nova reunião operacional acontecerá na próxima semana para estabelecer novos detalhes antes do início da operação.
Polícia Civil já pediu prisão de suspeito de matar jovem
A Polícia Civil já pediu a prisão do suspeito de assassinar o ex-aluno do Colégio Pedro II, Conrado Chaves da Paz, de 19 anos, morto na Lapa. O crime, no domingo, chocou a população e chamou a atenção para a violência crescente no bairro, lotado de moradores de rua e viciados em crack que roubam e furtam pedestres e turistas. A Divisão de Homicídios (DH) identificou o acusado, que moraria nas ruas da região e teria aproximadamente 30 anos. A identidade do suspeito não foi divulgada para não atrapalhar o fim das investigações.
Os agentes devem encerrar o inquérito no início da próxima semana. Conrado comemorava seu novo emprego e aniversário de um amigo. Ele foi atacado por um grupo de usuários de crack no fim da madrugada, na Avenida República do Chile. Marcas no corpo indicavam que ele foi esfaqueado no coração. Segundo peritos, o jovem foi morto com faca serrilhada, tipo a usada para cortar pão, com lâmina de aproximadamente 12 centímetros.
Foram designados 180 PMs para garantir a segurança na Lapa e Saara, a partir desta sexta-feira
Foto:  Osvaldo Praddo / Agência O Dia
As investigações concluíram que o crime foi um latrocínio (roubo seguido de morte) e que o motivo principal pode ter sido o celular do rapaz, que desapareceu. Conrado ainda carregava no bolso sua identidade, R$ 50 e cartão de crédito, que não foram levados. Ele estava sozinho e voltaria para casa, em Realengo, de ônibus.
A polícia ouviu diversas testemunhas e conseguiu imagens de câmeras próximas, o que ajudou na elucidação do crime e identificação do assassino. Até esta quinta-feira, os policiais ainda aguardavam que a Justiça analisasse o pedido de prisão do acusado pelo crime.
Conrado Chavez da Paz, 19 anos, foi morto a facadas na Avenida Chile
Foto:  Reprodução Internet
A atriz Ilva Niño, que há seis anos tem um teatro na Lapa, disse que a casa vai fechar as portas no dia 14. O motivo: a onda de violência e ataques de usuários de crack ao público. “Está um horror e as pessoas estão com medo de ir ao teatro. Os usuários ficam deitados no chão, pedem dinheiro, seguram as pessoas. Todos os comerciantes da região estão sofrendo porque a Lapa virou um local perigoso”, desabafou Ilva.
Lapa e Saara vão receber 180 PMs para coibir roubos a pedestres e turistas
A partir desta sexta, 180 policiais militares vão reforçar, diariamente, a segurança nas ruas da Lapa e do Centro Comercial Popular do Saara. O patrulhamento será realizado principalmente a pé, para coibir os roubos a pedestres e turistas. O centro comercial foi incluído na rota de reforço de policiamento devido ao grande número de consumidores fazendo compras de Natal. No fim de semana, o patrulhamento será feito por 100 policiais, de diversas unidades, em motos e viaturas.
Na quarta-feira, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, declarou que o problema da Lapa não era de polícia,e sim social. “Não estou dizendo que morador de rua é bandido, mas ali no meio pode haver um usuário de drogas, que comete atos impulsivos. Estas pessoas precisam ser acolhidas”, disse.
Para o secretário de Desenvolvimento Social e vice-prefeito, Adilson Pires, cada secretaria tem sua parte na ação: “Há assaltantes misturados com moradores de rua. Fazemos a nossa parte, acolhemos as pessoas em situação de vulnerabilidade, mas existe a parte da polícia e ele (Beltrame) tem que assumir”.


    quinta-feira, 26 de setembro de 2013

    The protests end in irony in relation to politics in Brasil. World culture figures in highlights.



    Essa foi boa !   Deu no G1 
    Saci- Pererê, Batman e Jack Sparrow 

    Saci-Pererê' e 'Jack Sparrow' se juntaram ao 'Batman' na Câmara (Foto: Domingos Peixoto / Agência o Globo

    terça-feira, 27 de agosto de 2013

    In Brazil racism is manifested by doctors white white

    Médicos brasileiros, o orgulho branco da nação

    A classe médica não cansa de nos orgulhar e eu não posso deixar de voltar ao assunto.
    Foto: Jarbas Oliveira / Folhapress
    Depois de espernearem contra a vinda de médicos cubanos e debocharem de suas declarações solidárias e humanistas, agora é a vez dos nossos brancos de branco saírem do Facebook pra protestar nas ruas.
    Em Fortaleza, mais de 50 bem nascidos doutores da alegria se posicionaram em frente à Escola de Saúde Pública do Ceará para recepcionar os cubanos contratados pelo programa Mais Médicos. Ao saírem do curso, os estrangeiros foram cercados e hostilizados com gritos de: “ES-CRA-VOS! ES-CRA-VOS! ES-CRA-VOS!" (assista ao vídeo). Só faltou aquele outro grito de guerra médico entoado recentemente: "Somos ricos, somos cultos, fora imbecis corruptos!"
    É a hospitalidade Padrão Médico-Brasileiro!
    Nossos doutores não estão sozinhos. A amiga internauta Micheline, por exemplo, abriu o coração:
    Esses lutadores, além de representarem o alto grau de politização do jovem rico brasileiro, mostram que o gigante acordou e não está de brincadeira.
    Nosso Golias levantou do berço esplêndido, asseou seus cabelos lisos e louros, vestiu o jaleco e chamou David pra briga.
    E você, amigo internauta? O que achou dessa demonstração de força dos nossos doutores?

    quinta-feira, 25 de julho de 2013

    O Rio de Janeiro não merece passar por isso

    Lama é destaque no Campo da Fé, na Jornada Mundial da Juventude

    Absurdo este local que escolheram para os milhares de católicos na Jornada Mundial da Juventude, que está acontecendo aqui na cidade do Rio de Janeiro. O Campo da Fé - Guaratiba (Zona Oeste) está lamentável, cheio de lamas ou seja, sem infra-estrutura nenhuma. Cadê as escolas, ginásios, universidades e outros espaços mais adequados? faltou uma boa organização.

    lama_campo_da_fe (Foto: Darlan Alvarenga/G1)
    Operário trabalham em área de acesso a autoridades no Campo da Fé, no Rio  (Foto: Darlan Alvarenga/G1)





    quarta-feira, 24 de julho de 2013

    Com Papa ou não, o Rio pega fogo ! Salve Bruno



    Pressão popular tira Bruno da cadeia. Entretanto falta mais politização e conscientização da nossa população. 

    Foto: UOL Bruno sendo preso

    Navegando na Maré do Fogo no Rio de Janeiro.

    Atencao, galera! Todo jovem que a partir de agora for preso pela polícia de Sérgio Cabral nas manifestações deve se declarar "Preso Político". E as organizações que estão acompanhando de perto os assuntos devem pedir apoios e fazerem denúncias aos tribunais internacionais sobre os casos.

    2) Por que o jovens negros ativistas que são presos nas manifestações, como o Bruno, não conseguem sair rapidamente das prisões como os jovens brancos e são marcados como criminais perigosos e podem ter penas altas se forem julgados ? Cade o Movimento Negro do Rio de Janeiro que não criou uma comissão para acompanhar esses jovens e tantos outros que podem sofrer severas punições e terem suas vidas estragadas pelo Estado Beligerante e Fascista de Sérgio Cabral. Cade o Conselho de Negros do Estado do Rio de Janeiro que não se pronuncia até agora sobre essas questões? ESTÃO TODOS ENGESSADOS, COMENDO MERENDA DO GOVERNO

    3) Pra que serve a tal Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro? PARA GASTAR DINHEIRO PÚBLICO EM NADA...NADA....NADAA...NADA...

    Essas e outras matérias fiquei matutando hoje de manha no meu trabalho.

    sábado, 29 de junho de 2013

    Movimento livre, espontâneo e justo, é cooptado pelo governo

    As manifestações que surgiram pelo país apresentavam uma coisa positiva: era live, espontânea e justa. Afinal, a população não aguenta mais tanta corrupção, promessas de políticos, projetos não acabados e bilhões gastos em programas ineficazes. Entretanto, após duas semanas de passeatas pelo Brasil, o que vimos foi governadores, prefeitos e a presidenta recebendo "comitivas" organizadas e grupos de jovens partidários que não estão representando a grande massa. 
    Os gritos das ruas são claros: Tarifa Zero, Emprego, Moradia, Saúde, saída do Dep. Marcos Feliciano, Fora Renan Calheiros, Participação polular nos gastos da Copa de 2014 e etc. Portanto, o Brasil não precisa de messias ou salvador(es) da pátria.  


    sexta-feira, 28 de junho de 2013

    Governo e Mídia tentam confundir opinião pública sobre as manifestações

    Na passeata de ontem, o clima foi positivo, mais a garra, a luta e o horizonte do movimento ficou a desejar. A população tem que ter cuidado com a luta. Não ganhamos nada e o futuro a deus pertence. 

    Outra coisa, o que foi isso? estão representando quem e o que? 

    domingo, 23 de junho de 2013

    Globo é expulsa da Manifestação

    Polícia reprime com terror manifestação nas ruas do Rio.

    Resumo dos Protestos


    O Brasil de todos acordou. A classe média resolveu também se unir ao gritos das favelas brasileiras, do campo e das regiões mais pobres do país. O estopim de tudo? a Copa do Mundo. Milhões gastos, muita corrupção, falta de respeito, violência, de falta de moradia e desemprego. O povo acreditou no Lula, votou duas vezes nele, elegeu a Dilma e a presidenta até agora não fez uma ação eficaz, de impacto para o país.  Começou a semana com a campanha da BOLSA GELADEIRA, dando 5 mil reais para as famílias que participam do Minha Casa, meu Pesadelo, o morro do BUMBA(Niteroí) é um exemplo disso. Casas construídas em pessímas condições, com dinheiro do povo. Os moradores estão até hoje sem suas casas.   já ocorre há tempos. Isto faz com que o povo não acredite em partidos políticos. 

     Vamos listar dez atos que fazem o povo ir para as ruas:  


    1. Tragédia Região Serrana - mais de 1.000 mortos e milhares sem casa até hoje.
    2. Tragédia Morro do Bumba - mais de 70 mortos e milhares sem casa até hoje.
    3. Construção da Cidade da Música - bilhões gastos sem consulta popular.
    4. Construção do novo Maracanã - + de um bilhão gastos e sem consulta popular.
    5. Estádio do Engenhão - 400 milhões gastos e fechado por possibilidades de desabar. 
    6. UPAS, sem médicos, sem materiais e milhões gastos em corrupcão na saúde.
    7. Monópolio das empresas de transportes públicos: empresas de ônibus, barcas, metrô, trem e pedágios.
    8. Shows na praia de Copacabana - cachês de mais de 2 milhões reais. 
    9. Indústria parada. Desemprego em aceleração e isso faz o povo ficar sem renda. 
    10. Governos Federais, Estaduais e Municipais corrompidos pela corrupção. 

    Essa é a conta.

    quinta-feira, 20 de junho de 2013

    Momento lindo dos protestos no Rio.

    Na Avenida Rio Branco, há pouco.

     Fotos: Lucas Pimentel
    Fotos: Lucas Pimentel

    Desconforto na ALERJ após ultima manifestação

    Funcionários guardam tapumes para proteção contra vândalos,após ultimo protesto(17/06/13),  
    Fotos: Lucas Pimentel
     Fotos: Lucas Pimentel 
    Fotos: Lucas Pimental 
     Cidade Pra quem? Fotos: Lucas Pimental

    MANIFESTAÇÃO NO RIO TEM CLIMA DE PAZ. ACORDA BRASIL

                        Antes do horário oficial da passeata no centro do Rio, clima de tranquilidade é total.
    Bandeiras do Brasil são vendidas na Cinelândia para manifestantes
    Fotos: Lucas Pimentel
     Câmera de Vereadores da Cidade do Rio de Janeiro 
    Fotos: Lucas Pimentel 
     No Largo da Carioca mesmo com os protestos, um dia de trabalho comum. 
    Fotos: Lucas Pimentel
     Na ALERJ, tudo normal. Fotos: Lucas Pimentel 
     Av. Rio Branco antes da passeata. 
    Fotos: Lucas Pimentel 

     Batman com seu cartaz. Fotos: Lucas Pimental
     IFCS, no Largo de São Francisco, alunos produzindo seus cartazes para a manifestação. 
    Fotos: Lucas Pimental

    quarta-feira, 19 de junho de 2013

    segunda-feira, 17 de junho de 2013

    Protestos pelo Brasil mostram que só com povo na rua podemos mudar o país.

    Hoje o país percebeu que a população não está nem um pouco contente com essas políticas erradas tomadas nos últimos 10 anos. Copa do Mundo, bilhões gastos. Pra que? pior, os estádios, ainda estão todos inacabados. O estádio do Engenhão(RJ), é um dos milhares de casos de falta de respeito com a população e desperdício do dinheiro público do cidadão. Na Av. Rio Branco, aqui no Rio de Janeiro, um público lindo fez uma manifestação pacífica, sem qualquer problemas. Já na ALERJ, o pau quebrou e quase acaba em tragédia. Policiais deram tiros em direção da população. Resultado, três feridos a bala. Vamos aguardar a próxima.









    sábado, 8 de junho de 2013

    O Dentista Mascarado tem sido a grande sacada do momento da Tv Brasileira.

    Tenho acompanhado em vários sites, jornais e revistas que o programa, O Dentista Mascarado, com Marcelo Adnet, Thais Araujo, Leandro Hassum e companhia, não tem agradado o publico, nas sexta-feiras(22h), na TV Globo. Que não e engraçado, que a trama não tem sido boa, que o Marcelo fora da MTV não produz da mesma forma e outras criticas sem noção. Bom, sabemos que o ato de gostar de algo varia muito. Talvez a expectativa de alguns criticos em cima do programa foi acima realmente, do que realmente o programa traz de diferente. Então, vejo um programa excelente e agradável para quem fica em casa nas noites de sexta-ferias.   

    sexta-feira, 1 de março de 2013

    Greve de ônibus no Rio retrata o PIB do Brasil: 0,9%

    Eita Brasil... Um PIB de 0,9%, não é mole. A greve de ônibus no Rio representa um sinal de alerta para o País. Ainda estamos longe de um lugar seguro, com emprego em alta, com boa infra estrutura, boas escolas, saúde e transporte.

    Foto: Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia
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    Foto: Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia
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    Foto: Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia
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    domingo, 24 de fevereiro de 2013

    Favelas pacificadas para a nova burguesia brasileira



    REESTRUTURAÇÃO URBANA NO RIO DE JANEIRO
    Favelas pacificadas para a nova burguesia brasileira
    Habitação é o assunto do momento no Rio. Na praia, no ônibus, nos jantares, só se ouve falar disso. Há muitos anos a febre especulativa pouco a pouco fez aumentar os preços e, por consequência, a pressão sobre os cariocas que consagram agora uma grande parte de seu orçamento para isso
    por Jacques Denis
    Início de setembro. Toda noite o Brasil vibra com os episódios de Avenida Brasil, a telenovela que opôs durante seis meses a morena Rita à sua madrasta, a loira Carminha. Uma cresceu em uma zona da periferia popular do Rio de Janeiro, abandonada pela outra, que vendeu a casa do pai, morto na Avenida Brasil, símbolo deste país de desigualdades. Por trás dessa intriga, das mais básicas, se trama outra história: “É a preparação psicológica de uma parte da população, a classe média dos bairros chiques da zona sul do Rio, para o fato de que logo estarão se mudando para a zona norte”, analisa Eduardo Granja Coutinho, professor de Ciência da Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Se acreditarmos nisso, um fenômeno social televisual pode então ocultar outro, menos virtual: o aumento dos preços que fez do Rio um imenso jogo de Banco Imobiliário. Uma das músicas tema do folhetim não se intitula “Meu lugar”?
    Habitação é o assunto do momento no Rio. Na praia, no ônibus, nos jantares, só se ouve falar disso. Há muitos anos a febre especulativa pouco a pouco fez aumentar os preços e, por consequência, a pressão sobre os cariocas que consagram agora uma grande parte de seu orçamento para isso. Entre janeiro de 2008 e julho de 2012, o Rio conheceu um aumento de 380% nos preços de venda e de 108% nos de locação. Por falta de recursos, alguns pensam até em se mudar para bairros onde nunca puseram os pés, as favelas que as autoridades decidiram metodicamente “pacificar” (ver quadro). E com ainda mais vigor, já que é preciso preparar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
    Vidigal é um morro muito conhecido de todos os cariocas, já que se situa de frente para o mar, na continuidade do Leblon e de Ipanema. No dia 13 de novembro de 2010, as tropas da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) tomaram o lugar. A regra mudou. Há pouco mais de um ano, os meninos ainda andavam por lá com armas de grosso calibre; hoje, não param de passar policiais na Estrada do Tambá, a artéria principal e única via de acesso desse emaranhado de ruelas asfaltadas, de quebradas de tijolo e reboco. Não é a única mudança visível: “A coleta de lixo está funcionando, a eletricidade também, e tem até um caixa eletrônico em três línguas... Os serviços públicos voltaram”, constata o capitão Fábio, responsável pela UPP local. E, pelos cartazes que anunciam demolições e reformas, outras mudanças devem acontecer nessa febre de expansão imobiliária.
    Na associação de moradores do bairro, comemora-se o retorno à ordem. Mas seu presidente Sebastião Alleluia aponta outros perigos: “Hoje estamos entrando em uma nova realidade, já que nossos terrenos são agora desejados pelo capital. A pressão se tornou imobiliária, e a especulação, nossa realidade. É apenas o começo: vemos desembarcar brasileiros e principalmente estrangeiros, trazidos pela crise europeia e interessados no potencial de nossos bairros. Um apartamento dúplex situado no Baixo Vidigal, estimado em R$ 50 mil há um ano, se negocia hoje por R$ 250 mil!”.
    O Vidigal está na moda, um pouco como o que aconteceu com Santa Teresa no início dos anos Lula (2003-2010), um bairro popular hoje habitado por artistas vindos do mundo inteiro, condomínios superprotegidos, pousadas com selo de qualidade e restaurantes da moda. O diretor de teatro Guti Fraga, diretor da associação Nós do Morro, que ele implantou em 1986 para desenvolver ali um projeto de integração pela cultura, também conheceu os anos em que coabitavam o bairro – reconhecido por suas ruas calçadas e suas habitações legais, autenticadas como tais pela municipalidade – e a favela, zona “fora do cadastro” cujas manchas vermelhas pouco a pouco comeram o verde do morro. Ao lado do Leblon, a favela Praia do Pinto foi incendiada em 1969 para expurgar os cerca de 20 mil pobres que viviam ali, realocados nos complexos de conjuntos habitacionais, como a sinistra Cidade de Deus.
    No Vidigal, a ameaça está de volta, e seu cavalo de Troia se chama pacificação. E Fraga aponta o restaurante francês que deve ser aberto ali em pouco tempo: “Será que vai ser para os moradores daqui?”. O projeto de hotel cinco estrelas “vai acolher as pessoas do Nordeste (a região pobre de onde vem a maioria dos moradores do Vidigal)?”. Como confia um capitão da polícia, “o Vidigal se tornou uma atração turística onde os europeus vêm tirar fotos bonitas”. Ou investir nesse terreno cujo valor está em alta...
    “No Rio, mais de 2 milhões de pessoas vivem em mais de novecentas favelas: tudo isso constitui um bom negócio para quem está preparado para a aventura e tem a capacidade de antecipar a mudança estrutural de uma cidade em plena mutação”, observa Luiz César Queiroz Ribeiro, diretor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) do Observatório das Metrópoles. Seu laboratório universitário se interessou pelas questões da propriedade territorial no Rio, um caso de exßemplo para todo um país onde muitos, ricos ou pobres, se instalaram sem base legal, num modo de espoliação (um rico toma posse de um terreno pela força) ou invasão (pobres ocupam um espaço pelo grande número). “O Brasil é a bola da vez. Toda essa especulação imobiliária que se desloca no mundo, do Sudeste Asiático à Espanha, se instala hoje aqui.” A economia – que parece estável comparada com a tempestade que atravessam as do “centro” – atrai ainda mais os investidores porque o imobiliário continua barato. “Desde 2005”, continua Ribeiro, “esse movimento de fundo se instala, se apoiando no turismo e na perspectiva dos megaeventos. Num tal contexto de especulação urbana clássica, controlar o território é também dar garantias para o capital. É preciso então regularizar e regular a ocupação dos terrenos.” O objetivo principal? “Permitir que o mercado tenha acesso a essas zonas informais e então estabelecer bases jurídicas da propriedade territorial.” Ou, para dizer com outras palavras, modernizar o país para permitir aos investidores se instalarem melhor. Assim, para favorecer futuras transações, as autoridades colocaram em ação um programa de regularização imobiliária, nessas favelas que o cadastro ignorava pura e simplesmente desde uma lei de 1937 (revogada em 1984 sem que a situação dos terrenos tenha sido realmente esclarecida). A revista Veja de 4 de julho de 2012 comemorava que “num raio de 500 metros no entorno da UPP do Vidigal os preços aumentaram 28% a mais que no resto da cidade”. A tal ponto que é cada vez mais difícil para os cariocas da classe B, que têm boas condições financeiras,1 se instalarem ali.
    Durante muito tempo, as favelas foram consideradas provisórias. Era admitido que elas deveriam desaparecer com o desenvolvimento. Mas como este demorou a chegar, o governo decidiu ao mesmo tempo fazê-las desaparecer e deixá-las surgir aqui e ali. Sérgio Magalhães, secretário da cidade de 1993 a 2000 e atual presidente do Instituto dos Arquitetos, participou do programa Favela Bairro, frequentemente citado como exemplo e que se ocupava de 155 favelas. “Em 1993, três, quatro gerações tinham crescido nesses terrenos: a situação já não era, claramente, transitória. Era preciso reconhecer esse estado de coisas e fazer das favelas verdadeiros bairros.” Depois de terem favorecido o deslocamento das populações para as periferias – entre 1962 e 1974, mais de 140 mil habitantes foram enviados para a periferia, com oitenta favelas apagadas do Rio –, os poderes públicos finalmente consideraram construir um futuro no local, levando em conta a história e a opinião dos moradores. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) consagrou US$ 600 milhões para isso, aos quais se acrescentaram US$ 250 milhões do governo federal.
    Vinte anos depois dessa primeira tentativa de reorganização, seguida por outros programas (Bairrinho, Morar Legal e Novas Alternativas), associações e particulares deram início a procedimentos para obter títulos de propriedade oficiais. Mais de duzentos teriam sido oficialmente emitidos, enquanto milhares aguardam. Ninguém sabe quantos, já que ninguém sabe quantas pessoas vivem ali. Vinte mil, 40 mil, 60 mil habitantes? Roque faz parte desse grupo desde 1976. Natural da Bahia, ele fica feliz com o interesse crescente dos gringos, fonte de lucro: uma vizinha multiplicou por cinco o valor de seu imóvel. No entanto, para ele, está fora de questão deixar sua casa, um minúsculo quarto e sala construído por ele mesmo em 1995. O septuagenário faz valer seu direito de solo – além do sentimento de pertencimento a uma comunidade, o que não tem preço. “Na época, ganhei um recibo da associação de moradores. Hoje eu aguardo o título de propriedade oficial. Isso vai dar um pouco de dinheiro aos meus filhos quando eu morrer, mas eu não quero deixar meu bairro; é a minha vida.”
    Essa regularização é também sinônimo de integração ideológica dessas zonas fragmentadas, antes regidas por outras leis imobiliárias, erigidas pelos próprios moradores. O sociólogo Jailson de Souza e Silva, cabeça pensante do Observatório das Favelas, vê aí “a base de um aburguesamento”. “Muitos são tentados a vender bens que agora têm um valor verdadeiro. Eu defendo que a última coisa a dar aos habitantes da favela é um título de propriedade.” Para ele, possuir um título oficial é ter acesso à possibilidade de cedê-lo e então fazer, por sua vez, o jogo do “mercado”. “Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, que investiu benevolamente milhões nos equipamentos da UPP, é proprietário de grandes grupos imobiliários. Ele tem todo o interesse em financiar essa política, da qual ele terá os dividendos num segundo momento, ao se tornar proprietário de uma parte desses territórios.” Para Silva, a solução está longe das lógicas especulativas...
    Esse não é o ponto de vista do prefeito, Eduardo Paes, eleito com quase 65% dos votos. Um plebiscito para esse político centrista que, além do apoio do PT, se beneficia do voto das favelas, fortalecido por um balanço que o enaltece: ele será sempre o prefeito da pacificação e o artesão de grandes canteiros urbanísticos, entre os quais o exemplar projeto Porto Maravilha, que visa transformar todo o bairro portuário, não muito distante do centro histórico e por muito tempo desaconselhado à noite, em uma gigantesca zona comercial e turística, com moradias renovadas e ateliês de artistas. Centro de serviço e maior polo naval, principalmente com o petróleo, o Rio encarna mais que qualquer outra cidade a identidade brasileira aos olhos do mundo inteiro. Uma visão que foi confirmada pela classificação pela Unesco em julho de 2012 da Cidade Maravilhosa como patrimônio da humanidade. “O Rio vai se tornar a vitrine comercial do marketing brasileiro”, explica Ribeiro. “Será o cartão de visitas do país.” Desde 2011, na saída do aeroporto, um grande muro antirruído permite esconder a miséria da Avenida Brasil.
    BOX:
    Rumo à cidade-empresa
    “Para a preparação das Olimpíadas de 2016”, explica o arquiteto Carlos Fernando Andrade, membro do PT, “o modelo foi Barcelona. É uma obsessão desde 1993! Desde essa data os catalães vêm aqui vender seus serviços. Sua estratégia foi pensar a cidade como uma empresa. E, dentro dessa lógica, era preciso uma sucessão de grandes acontecimentos.”
    Em 2013, o Rio de Janeiro vai acolher a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), depois do encontro Rio+20 em 2012 e antes da Copa de 2014. Luiz César Queiroz Ribeiro percebe nessas grandes readequações programadas uma mudançaprofunda da identidade original do Rio, onde as classes socialmente afastadas viviam até agora em certa proximidade geográfica. “Isso favorecia uma convivência feita de conflitos e de convergências, um diálogo inédito que é cristalizado pelo samba. O futuro, ao contrário, sugere uma cidade estratificada em função da renda, como todas as outras. E nessa perspectiva os dias das favelas estão contados. A arquitetura talvez permaneça, como algo exótico, mas a dinâmica do mercado vai engolir os habitantes, consumidores em potencial.”
    O Partido Verde (PV) é um dos mais virulentos a respeito desse balanço enganador, denunciando toda uma série de operações duvidosas com relação às Olimpíadas que jogam o jogo da especulação: a escolha, por exemplo, de privilegiar o ônibus e não o metrô, sabendo que as empresas privadas que detêm os ônibus são apoiadoras financeiras dos políticos. Fernando Gabeira, que perdeu o segundo turno das eleições municipais em 2008, se mostra categórico: “Alguns tiveram informações de dentro sobre a aplicação da pacificação. Eles investiram antecipadamente no entorno imediato das zonas pacificadas. Os riscos são administrados de modo a concentrá-los nos bairros mais pobres da periferia. Os hospitais psiquiátricos são implantados na zona oeste, assim como as penitenciárias e os lixões. Com a pacificação da zona sul, os traficantes se mudaram para a periferia”.
    Consequência: a cidade cresce ainda e sempre, empurrando seus limites administrativos, mas também seus problemas. Apesar de seus quase 12 milhões de habitantes, a Grande Rio de Janeiro conheceu uma vertiginosa queda em sua densidade: 8 mil habitantes por quilômetro quadrado, duas vezes menos do que em 1960! Sérgio Magalhães detecta aí o calcanhar de aquiles do Rio: “A expansão da cidade desemboca em uma equação impossível para os serviços públicos. Torná-los acessíveis para todos representa um custo estrutural enorme!”.
    No entanto, existem soluções para o problema habitacional que diz respeito a mais de 400 mil pessoas, segundo Marcelo Braga Edmundo, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares. “Dez por cento do déficit nacional de habitações se concentra no Rio. A solução não reside nas construções na periferia, mas nas ocupações dos prédios vazios. É uma escolha política. Eduardo Paes favoreceu investimentos públicos que beneficiarão a esfera privada. E as Olimpíadas, que poderiam beneficiar a todos, se anunciam como uma gigantesca catástrofe para as classes populares, que vão pagar um alto preço. Em seu nome, passam por cima do plano diretor estabelecido pela lei. Ao mesmo tempo, o IPTU progressivo [calculado em função dos imóveis privados vazios] não é aplicado.” Seria, no entanto, uma solução legal para resolver uma parte do problema das desigualdades no que diz respeito à habitação. (J.D.)

    Jacques Denis é jornalista.

    Ilustração: Jaguar

    1. A estatística brasileira divide a sociedade em cinco classes: A (cujos salários ultrapassam 30 salários mínimos), B (de 15 a 30 salários mínimos), C (de 6 a 15), D (de 2 a 6) e E (até 2 salarios mínimos).

    Manguinhos um novo olhar



    sábado, 23 de fevereiro de 2013

    Lei Seca: Retrato do Brasil 2013

    A Lei Seca que se aplica com cada vez mais força no país tem deixado muito bêbado, com dor de cabeça pelas cidades brasileiras. Ainda assim, é melhor uma dor de cabeça para quem dirige alcoolizado do que tirar uma vida de uma pessoa inocente. Entretanto alguns infratores que não cumprem a Lei Seca se comportam como verdadeiros irresponsáveis. Veja o que diz essa cidadã da foto, que foi presa no Rio de Janeiro: 

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